10 fevereiro 2009

Man In Black


Well, you wonder why I always dress in black,
Why you never see bright colors on my back,
And why does my appearance seem to have a somber tone.
Well, there's a reason for the things that I have on.
I wear the black for the poor and the beaten down,
Livin' in the hopeless, hungry side of town,
I wear it for the prisoner who has long paid for his crime,
But is there because he's a victim of the times.
I wear the black for those who never read,
Or listened to the words that Jesus said,
About the road to happiness through love and charity,
Why, you'd think He's talking straight to you and me.
Well, we're doin' mighty fine, I do suppose,
In our streak of lightnin' cars and fancy clothes,
But just so we're reminded of the ones who are held back,
Up front there ought 'a be a Man In Black.
I wear it for the sick and lonely old,
For the reckless ones whose bad trip left them cold,
I wear the black in mournin' for the lives that could have been,
Each week we lose a hundred fine young men.
And, I wear it for the thousands who have died,
Believen' that the Lord was on their side,
I wear it for another hundred thousand who have died,
Believen' that we all were on their side.
Well, there's things that never will be right I know,
And things need changin' everywhere you go,
But 'til we start to make a move to make a few things right,
You'll never see me wear a suit of white.
Ah, I'd love to wear a rainbow every day,
And tell the world that everything's OK,
But I'll try to carry off a little darkness on my back,
'Till things are brighter, I'm the Man In Black. (Johnny Cash)

06 fevereiro 2009

Anti Líbido


Poderíamos escrever um breve ensaio sobre outro"antis" que conhecemos: o anti-cristo, o anti-édipo... Também seria possível esboçar um tratado feminista sobre as diferenças de expectativas entre a langerie feminina e a roupa interior dos homens (dos metro-sexuais aos latinos típicos). Mas a fotografia e o título falarão por si só. Sem mais comentários.

02 fevereiro 2009

O jornalista deve...


1. Relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.
2. Combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.
3. Lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.
4. Utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público.
5. Assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas. Deve também recusar actos que violentem a sua consciência.
6. Usar como critério fundamental a identificação das fontes. Não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.
7. Salvaguardar a presunção de inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado. Não deve identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade, assim como deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.
8. Rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, credos, nacionalidade ou sexo.
9. Respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. Obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.
10. Deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. Não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses.

Para quando um código deontológico ou uma carta dos direitos do leitor, ouvinte ou espectador dos jornalistas?

Burro como uma porta


Sou feita de madeira, matéria morta, mas não há coisa no mundo mais viva do que uma porta. Abro-me devagarinho, para passar o menininho, com cuidado para passar o namorado ou de sopetão para passar o capitão.
Só não abro para essa gente que diz, se uma pessoa é burra, que é burra como uma porta. Eu sou muito inteligente! Fecho a frente da casa, do quartel, fecho tudo neste mundo… (a partir de “A Porta”, de Vinícius de Moraes)

30 janeiro 2009


"Até que a filosofia que detém uma raça superior e outra inferior seja finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada, haverá guerra todos os dias." (Haile Selassie)

29 janeiro 2009

Mensagem a um daltónico


Aqui em baixo é tudo azul, o arco-íris é azul e é azul a chuva quando molha.
A minha casa está no mar no fundo bem fundo, azul, sem fronteiras a dividir corações. O meu lugar é azul e em azul até dançam as areias: só se vê estrelas no mar, num silêncio todo azul e mais as bolhas de ar que nos rodeiam.
Quando o riso tiver cor, um reflexo de calor, ondas de sal e vapor fazem desenhos na água e as anémonas são caricaturas nossas.
E se a morte for azul? (adaptação a partir de “Aqui em baixo”, de João Afonso)

1946-2009: a multiplicação dos "sete palmos de terra"


Sou pacifista por natureza, faz parte da minha essência. Até gosto – no sentido positivo do termo - de uma boa discussão, bem argumentada, da estimulante troca de palavras, mesmo que acesa e sem possibilidades de consenso. Mas violência física, verbal ou de qualquer outro tipo, é algo que organicamente rejeito. Acho mesmo que não conseguiria sobreviver emocionalmente a uma situação de guerra. Felizmente nem sei bem o que isso é.
Mas imaginemos que um qualquer governo do mundo que não o nosso, eleito por nós - e acreditando que isso ainda faz a diferença – despejava no nosso quintal um povo de cultura completamente diferente (e diferente não significa melhor nem pior) que desatava a apropriar-se da nossa terra e bombardear tudo o que para nós tem valor. Imaginemos que em cerca de 50 anos o nosso território ficava, por isso mesmo, reduzido às zonas do Minho e Trás-os-Montes (confesso que não sei se a proporção será correcta): perdíamos a capital, Fátima, o acesso a todo resto da costa e às terras mais férteis, sem poder viajar – para comprar bens ou simplesmente visitar um familiar - sem passar por postos de controle altamente armados e que insistem na humilhação de quem detém um poder arrogante por superioridade militar. Sugiro ainda que imaginemos não ter mais nada do que calhaus para nos defendermos de tanques e que, apesar do caos, conseguíamos organizar eleições para um governo, democraticamente eleito mas “reprovado” pela generalidade da comunidade internacional.
Caramba, até Cristo expulsou os vendilhões do templo! O meu avô disse-me um dia que a coisa material mais importante que se pode possuir é a terra. Acho que percebo o que ele – que nada tinha de latifundiário – me queria ensinar: é dela que vem a comida, o petróleo e consequentemente a sobrevivência e a prosperidade. Se exponenciar esta lição à amplitude de todo um povo sem terra, confesso que começo a questionar o que é a paz…

27 janeiro 2009

O escuro das cores


"Eu queria ver no escuro do mundo (...) quais são as cores e as coisas (...). (Cazuza, "Quase Um Segundo")

26 janeiro 2009

Andar e cair ao mesmo tempo



You're walking. And you don't always realize it,but you're always falling. With each step you fall forward slightly. And then catch yourself from falling. Over and over, you're falling. And then catching yourself from falling.
And this is how you can be walking and falling at the same time. (Laurie Anderson)

24 janeiro 2009

Desaprender


"O segredo da abelha é esse. Quem não tiver uma curiosidade encarniçada por tudo o que o rodeia, quem alguma vez supuser que dá mais do que recebe, está perdido para o tal desaprender que repôe em causa ideias e formas. É que, depois de se saber tudo, estará sempre tudo por se saber. O criador deve ter a consciência de que, por melhor que crie, não consegue mais do que aproximações a uma perfeição que lhe é inantigível. Ele é um derrotado à partida. Sabê-lo e, apesar de tudo, prosseguir, é o seu único e legítimo motivo de orgulho. O resto é bilros." (Alexandre O'Neill, in Uma coisa em forma de assim)

13 janeiro 2009

Assim se faz a revolução...


O nosso Raul Rus


O Raúl baldou-se para Santiago e nós gastámos uma pipa de massa para o ir ver a Havana na passagem de ano em que se comemoram os 50 anos da revolução. Depois de um reveillon típico de hotel - que, como devem calcular tinha tudo a ver com o espírito da nossa viagem (ironia)- que nos obrigaram a pagar e que ainda por cima foi mau à brava, com os brinquedinhos, balões e cornetas que nos deram para fazer figuras de turistas "pepes", resolvemos colmatar a falha construindo o nosso próprio Raul. Acompanhou-nos até ao fim dos nossos gloriosos mas demasiado turisticos dias em Havana.

O último dia do ano na Praça da Revolução


Estávamos em Havana! Finalmente em Havana depois de tantos anos de sonho e a contar tostões...
Só que nos nossos sonhos tudo era maior e com um brilho colorido que a realidade não tem. A realidade é bem mais velha e pardacenta. Não falo de desilusão, mas de uma coisa diferente da que existia no nosso mundo imaginário.
Na comemoração dos 50 anos, a praça homónima da revolução não é uma festa: é um vazio austero. Não se respira a alegria orgulhosa de meio século de luta, mas um respeito contido e sisudo.
Levam-nos a sítios onde não queremos ir e onde queremos ir é longe demais. Naquele momento Cuba inteira estava em Santiago e esqueceram-se de nos avisar. ´Viemos para uma festa "à penetra" e ela fugiu quase 1000 km.
Quando nos perguntam se gostámos eu pelo menos fico sem palavras. Estive noutro sítio, num lugar real, não no meu sonho...

26 novembro 2008

p&b



" (...) Nunca ninguém me tinha dito assim tão bem como alguém pode ser tão igual independentemente donde vimos, da cor da nossa pele, da nossa religião, do nosso dinheiro, da nossa moral (...)". (Jorge Palma)




24 julho 2008

Flash mob


Pensei que a coisa ia ser pirosa à brava e como prezo minimamente a minha dignidade, queria preservar-me de fazer figuras tristes, gratuitas e acéfalas.
Fiquei a ganhar e a perder.
A ganhar porque tive uma oportunidade rara e privilegiada de assistir a uma escultura feita de gente, do mais variado tipo de gente – do operário de fato macaco cheio de tinta, à tia de brincos feitos de argolas douradas e saltos altos -, a um ballet urbano inteligente, a uma aula de filosofia corpórea sobre como é possível viver numa sociedade urbana contemporânea desalienadamente... Eram muitas dezenas de pessoas que guiadas pelo som de uma voz que só elas ouviam, uma verdadeira comunidade sonora, exclusiva, fechada, quase secreta, não fosse ela veiculada pela rádio. Essas pessoas usavam os seus corpos como ferramenta expressiva para ilustrarem com a própria carne o que ouviam. Em sintonia descontraidamente precisa, andavam, corriam, saltavam, dançavam sozinhos ou com desconhecidos, fechavam os olhos, deitavam-se, sentiam a textura das pedras e a cor das calçadas, comiam cravos de uma revolução contemporânea, como se de uma representação autofágica da própria história se tratasse, como se precisassem de alimentar fisicamente a alma da memória de um Abril materializado na irreverência presente.
Fiquei a perder porque também eu queria ter tido o privilégio de fazer parte desse teatro-dança-escultura que surpreendeu a modorrice encalorada de uma Lisboa morna mesmo em pleno Verão. Mais uma vez se confirma o aforismo de que é preferível arrependermo-nos sempre daquilo que fizemos do que daquilo que nos abstivemos de fazer.

13 novembro 2007

E se eu fosse Deus...


... a mexer nos cordelinhos da vida?

12 novembro 2007

Agito


Finalmente o "DJ Copo de 3" (aka Photomaton) irá regressar ao Agito, desta vez para expor as suas fotografias. São só vantagens: a primeira é que isso me permitiu não chamar a este post "Que força é essa? IV"; a segunda é que os que ainda não viram a exposição - grandes amigos ãh!!! - têm mais uma oportunidade e, logo, menos uma desculpa; depois, os que já viram poderão usufruir de uma noite de copos - não oferecidos, lamento - em ameno, mas sempre louco "cumbibio"; finalmente, sempre foi um excelente pretexto para actualizar este blog que tem andado meio-morto, mesmo que seja com piadas tontas, já que a fadiga não perdoa e o licor de poejo da minha sogra não ajuda.
Encontro marcado então no dia 15 de Novembro, 5ªF, no Agito tipo... depois de jantar?

PC - Para os mais distraidos o Agito fica na Rua da Rosa, nº 261 e está aberto das 18H às 2H, excepto ao Domingo.

03 outubro 2007

Que força é essa? III

Devido ao sucesso da primeira exposição, esta colecção de fotos será exibida na conceituada Sociedade Guilherme Cossoul, durante duas semanas (todos os dias a partir das 18H).
A inauguração será no dia 4 de Outubro, às 21h30 e contará com a presença da estrela, o nosso Photomaton. Gostariamos de contar com todos, mas especialmente com os que ainda não viram. Apareçam!

PC - A cerveja é barata e a sangria razoável...

13 agosto 2007

Que força é essa? II

A dupla Photomaton & Vox tem o prazer de informar que, a pedido de várias famílias – especificamente da grande família que é o bar "Inda a noite é uma criança" – a exposição "Que força é essa", de Carlos Morganho, estará patente ao público durante mais umas semanas. Os que estiveram de férias (e todos os outros) já não têm desculpa... Apareçam!

02 julho 2007

Que força é essa?

Que força é essa?

Exposição de Fotografia
de Carlos Morganho


Inauguração dia 5 de Julho, 22h30
no Bar "Inda a noite é uma criança"
até dia 5 de Agosto

(Praça das Flores, nº 8 – Tel: 21 396 35 45 – encerra ao Domingo)


No próximo dia 5 de Julho, pelas 22h30, será inaugurada a exposição de fotografia "Que força é essa?", de Carlos Morganho, no mítico bar "Inda a noite é uma criança".
O serão contará com a presença do autor e com animação musical pela voz de Ana Luísa Rodrigues, acompanhada dos músicos Dinho Zamorano e Nelo Moçambique.
Apesar de desejarmos poder contar com a presença de todos nesse dia especial, para os que não puderem comparecer, informamos que a exposição estará patente até ao dia 5 de Agosto.

O Autor
Carlos Morganho nasceu em 1969 em Almada. Apesar de as suas raízes familiares se encontrarem no interior Alentejano, reside actualmente em Lisboa, tendo também vivido alguns anos no Porto. Formado em Sociologia, concluiu a licenciatura em 1993, com uma tese sobre as migrações internas em Portugal. Desde então, tem trabalhado na área da exibição cinematográfica.
Apesar do fascínio ser antigo, apenas começou a dedicar-se à fotografia de forma mais intensiva em 2005. Autodidacta, os seus trabalhos incidem essencialmente nas pessoas, nas suas vivências, na sua luta pela vida, na dureza dos seus rostos e nas suas formas de exclusão, temas que aborda de uma forma comprometida e assumidamente parcial.

A Exposição
O trabalho de Carlos Morganho caracteriza-se essencialmente pelo facto de as suas fotografias dirigirem o olhar para aqueles que no quotidiano raramente são objecto de atenção ou, se preferir-mos, são frequente e propositadamente ignorados.
Nesses homens e mulheres, alguns pobres, outros mesmo sem abrigo, nesses velhos e trabalhadores, nessa gente em luta, o autor consegue descobrir e revelar emoções e beleza, mesmo que seja através das duras tarefas que desempenham, das rugas vincadas, de um olhar triste ou de um sorriso tímido, que com tanta dignidade e coragem enfrentam, também , uma máquina mágica nas mãos de um estranho.
É por isso que, tanto quanto fotografias, esta exposição mostra-nos pessoas, conta as suas histórias, revela momentos ricos de gente pobre, instantes de luta e trabalho, mas também de festa, descanso e união. Muito para além do mérito que o fotógrafo possa ter, a verdadeira obra de arte é essa gente, a nossa gente, um povo que mesmo em dias azedos e raiva nos dentes não perde a sua força.

Contactos
Helena Brandão
96 661 67 53
helena_brandao@netcabo.pt
www.photomatonevox.blogspot.com